15 de fev. de 2012
9 de fev. de 2012
PORQUE AMO MEUS PAIS
Amo meus porque deles eu recebi a vida.
Tudo que sou e serei só a eles deverei.
Meus pais não medem esforços para para me dar: conforto material e espiritual.
Na alegria e na dor nunca desanimam.
Estão sempre a fazer mais e mais por mim.
Quando adoeço me cercam de carinho e de cuidados.
Estão sempre me encorajando para os estudos.
Sei que de meus pais terei tudo aquilo que uma filha pode ter: amor, compreensão e ternura.
Não invejo os pais de ninguém, porque os meus são os melhores entre todos.
Que escreve é uma filha muito reconhecida: Anita.
(Anita Aparecida Martins. Concurso Literário Estudantil. Cia Jornalística Calda Júnior "Correio do Povo". Porto Alegre, 1969).

( Meus pais: Agrícola Martins e
Anita Vieira Martins - Gramado / 1968)
Tudo que sou e serei só a eles deverei.
Meus pais não medem esforços para para me dar: conforto material e espiritual.
Na alegria e na dor nunca desanimam.
Estão sempre a fazer mais e mais por mim.
Quando adoeço me cercam de carinho e de cuidados.
Estão sempre me encorajando para os estudos.
Sei que de meus pais terei tudo aquilo que uma filha pode ter: amor, compreensão e ternura.
Não invejo os pais de ninguém, porque os meus são os melhores entre todos.
Que escreve é uma filha muito reconhecida: Anita.
(Anita Aparecida Martins. Concurso Literário Estudantil. Cia Jornalística Calda Júnior "Correio do Povo". Porto Alegre, 1969).
( Meus pais: Agrícola Martins e
Anita Vieira Martins - Gramado / 1968)
5 de fev. de 2012
O PASTOR
"Que posso eu lhe dar, pobre como sou?
Se pastor eu fosse, uma ovelha eu Lhe daria;
Se sábio eu fosse, toda dedicação;
Que posso, então, Lhe dar, senão meu coração!"
( C. Rossetti)
Se pastor eu fosse, uma ovelha eu Lhe daria;
Se sábio eu fosse, toda dedicação;
Que posso, então, Lhe dar, senão meu coração!"
( C. Rossetti)
2 de nov. de 2011
A ARTE DE SER FELIZ

Houve um tempo em que a minha janela se abria para um chalé. Na
ponta do chalé brilhava um grande ovo de louça azul. Nesse ovo
costumava pousar um pombo branco. Ora, nos dias límpidos, quando
o céu ficava da mesma côr do ovo de louça, o pombo parecia pousado
no ar. Eu era criança, achava essa ilusão maravilhosa, e sentiame
completamente feliz.
Houve um tempo em que a minha janela dava para um canal. No
canal oscilava um barco. Um barco carregado de flores. Para onde
iam as flores? quem as comprava? em que jarra, em que sala, diante
de quem brilhariam, na sua breve existência? E que mãos as tinham
criado? E que pessoas iam sorrir de alegria ao recebêlas?
Eu não era
mais criança, porém minha alma ficava completamente feliz.
Houve um tempo em que minha janela se abria para um terreiro, onde
uma vasta mangueira alargava sua copa redonda. À sombra da
árvore, numa esteira, passava quase todo o dia sentada uma mulher,
cercada de crianças. E contava histórias. Eu não a podia ouvir, da
altura da janela; e mesmo que a ouvisse, não a entenderia, porque
isso foi muito longe, num idioma difícil. Mas as crianças tinham tal
expressão no rosto, e às vezes faziam com as mãos arabescos tão
compreensíveis, que eu participava do auditório, imaginava os
assuntos e suas peripécias e me sentia completamente feliz.
Houve um tempo em que minha janela se abria sobre uma cidade que
parecia ser feita de giz. Perto da janela havia um jardim quase seco.
Era numa época de estiagem, da terra esfarelada,e o jardim parecia
morto. Mas todas as manhãs vinha um pobre homem com um balde,e,
em silêncio, ia atirando com a mão umas gotas de água sobre as
plantas. Não era uma rega: era uma espécie de aspersão ritual, para
que o jardim não morresse. E eu olhava para as plantas, para o
homem, para as gotas de água que caíam de seus dedos magros e
meu coração ficava completamente feliz.
Às vezes abro a janela e encontro o jasmineiro em flor. Outras vezes
encontro nuvens espessas. Avisto crianças que vão para a escola.
Pardais que pulam o muro. Gatos que abrem e fechamos olhos,
sonhando com pardais. Borboletas brancas, duas a duas, como
refletidas no espelho no ar. Marimbondos que sempre me parecem
personagens de Lope de Vega. Às vezes, um galo canta. Às vezes,
um avião passa. Tudo está certo, no seu lugar, cumprindo o seu
destino. Eu me sinto completamente feliz.
Mas quando falo dessas pequenas felicidades certas, que estão diante
de cada janela, uns dizem que essas coisas não existem, outros que
só existem diante das minhas janelas, e outros, finalmente, que é
preciso aprender a olhar, para poder vêlas
assim.
Cecília Meireles
30 de jan. de 2010
MEU BARCO
29 de jan. de 2010
COLECIONADOR DE PROBLEMAS

Em uma aldeia onde haviam muitos colecionadores. Passavam a vida colecionando objetos descartados pelas outras pessoas. Os colecionadores descobriram que uma vez que se tenha uma grande e variada quantidade de artigos descartados, eles se tornam valiosos novamente. Um colecionador tinha uma provisão esplêndida de garrafas de vidro. Ele chamava a atenção pendurando algumas em árvores e criando música batendo com varas. Outro colecionava sapatos de todos os tamanhos. Ele comentava o quanto variava o tamanho e as formas dos pés das pessoas.
Havia colecionador de panela, colecionador de selos, de taco de golfe e colecionadores de chapéu, de livros cômicos e colecionador de cartão esportivo. Na verdade, era uma verdadeira coleção de colecionadores. Um dia um velho homem chegou à cidade e vagando pela aldeia perguntava onde ficava a praça dos colecionadores. Ele levava um grande pacote, mas não parecia estar carregado nem muito pesado. Ele encontrou a praça dos colecionadores e se alojou em um canto.
Naturalmente, os colecionadores descobriram que havia um novo colecionador na cidade, e eles queriam saber o que ele tinha no pacote. Ele respondeu que nada havia mas apenas seu almoço e uma capa de chuva para o caso de chover.
- Você quer dizer que não tem uma coleção? - eles perguntaram - Você não é um colecionador?
- Oh, sim. - ele respondeu - eu sou um grande colecionador. Mas o que eu coleciono não cabe em um pacote ou uma caixa. Eu coleciono os problemas e as preocupações das pessoas.
Esta era uma idéia estranha e lhe pediram que explicasse.
- Bem, veja você, eu descobri há muito tempo que entre as coisas que todos querem se livrar existem as preocupações, os problemas, fardos pesados, tristezas, tempos difíceis - todo este tipo de coisas que jogam as pessoas para baixo e faz suas vidas mais tristes. Assim eu me ofereço para colecionar estes problemas e elas se sentem bem. Não é simples?
Alguns dos colecionadores pensaram que era uma convicção tola e possivelmente isso era perigoso à reputação de sua profissão.
O velho não parecia prejudicar ninguém, entretanto, assim eles o deixaram só. Logo apareceu alguém e perguntou como ele colecionava problemas, e ele respondeu,
- Bem, há algo provavelmente em sua vida que o aborrece agora mesmo - um pouco de preocupação que você tenha. Me fale um pouco sobre isto e eu a acrescentarei à minha coleção.
- Mas como isso me ajudará? Você pode desaparecer com o problema só porque lhe falo sobre isto?
- Não, mas você se sentirá melhor. Tente.
Assim a pessoa falou para o velho sobre algo que era um problema. Quando a história terminou, o colecionador de problemas acenou com a cabeça algumas vezes, elevou as mãos como se erguesse algo pesado e fingiu colocar no pacote.
- Pronto! Eu guardei este. Como você se sente? Perguntou.
A pessoa que tinha o problema respondeu:
- Estranho. Me sinto bem. Eu acho que posso controlar o problema muito melhor agora. Realmente funciona!
As palavras se espalham ao vento. Logo havia uma multidão em volta do colecionador de problemas.
Um dia, uma mulher apareceu na aldeia caminhando lentamente e com considerável dificuldade. Logo a levaram ao colecionador de problemas. Quando ele explicou a ela que tipo de colecionador ele era, ela começou a lamentar:
- Oh, você não sabe quantas problemas e pesados fardos há neste mundo. Eu venho de uma cidade onde há mais problemas do que em qualquer outro lugar. Todos sofrem e ninguém tem qualquer esperança. E o pior é que as autoridades da cidade prosperam passando por cima dos problemas do povo. É um lugar horrível, desesperador. Eu tive que partir. Era a única esperança que eu tinha.
O colecionador de problemas ficou sério. Se levantou e ergueu o pacote com um gesto que era mais lento e mais doloroso que o normal. Depois de um longo silêncio, falou lentamente.
- Eu tenho que ir até lá.
Os aldeãos e a mulher fizeram um grande protesto. Eles não queriam perder o colecionador de seus problemas. Tinham medo de como ficaria a cidade e lhe imploraram que ficasse.
O velho se escapuliu no meio da noite.
Muito tempo se passou até que um cansado jovem entrou na aldeia. As pessoas sabiam, sem perguntar, que ele vinha da cidade. Eles o ajudaram da melhor forma que podiam, e quando ele estava se sentindo melhor, lhe perguntaram se sabia do velho que tinha partido para a cidade várias semanas atrás.
- Conheci sim! Este homem entrou quieto na cidade e, no princípio, ninguém o notou. Então de vez em quando você poderia vê-lo conversando com pessoas - escutando principalmente. Quando um pessoa terminava de falar, ele curvava a cabeça e fazia estranhos gestos com as mãos e a pessoa começava a se sentir melhor. Pela primeira vez em um longo tempo, as pessoas da cidade começaram a se sentir melhor e ter um pouco de esperança.
- Sim, nós sabemos. Ele fez isso aqui também. Respondeu um dos aldeãos.
- Bem, não levou muito tempo para as autoridades o notarem. Lhe mandaram partir e deixar de se intrometer nas vidas de outras pessoas. Ele simplesmente recusou. Disse o jovem da cidade.
E com os olhos tristes e um nó na garganta, continuou:
- Eles o colocaram na prisão, mas lá ele colecionou os problemas dos outros prisioneiros. Finalmente, as autoridades decidiram que ele era uma ameaça subversiva ao sistema. Assim eles o executaram.
Os aldeãos ofegaram. Alguns começaram a chorar.
- Eu sinto muito por lhes trazer estas tristes notícias. Ele também era meu amigo.
- É doloroso para nós, você sabe. Como faremos agora que ele morreu?
De repente o rosto do jovem ficou iluminado.
- A idéia ainda funciona! Ele exclamou. Colecionar problemas ainda funciona! Você pode fazer isto para mim, e eu posso fazer isto para você. Ele só nos mostrou como fazer!
O jovem saltou, cheio de energia e com força renovada.
- Estou voltando para a cidade!
- Mas o que fará você por lá? - vários aldeãos perguntaram em harmonia - Você ficou doido? Lá existem muitos problemas.
- Exatamente! Exatamente! - ele continuou - É por isso que eu vou. Aprendi a lição, vou ajudar as pessoas a se sentirem melhor. Me tornarei um colecionador de problemas! O que tenho a fazer é simples: basta ouvir as pessoas. Fazer com que elas se abram, desabafem e, assim, reflitam melhor, sintam-se mais leves. E hei de espalhar o que aprendi. Hei de criar novos colecionadores de problemas.
Ei você! É, você que está lendo este texto!
Quer se tornar um colecionador de problemas?
Leo Remington

